28 de abr. de 2011

20 - Produzindo Jaguara - Homenagem de fã

Toykobé!
Hoje vou comentar algo que a maioria deve saber. Quando trabalhamos em um projeto pessoal (aquele que geralmente não é o nosso principal trabalho remunerado) existem muitos desafios e dificuldades. Creio que seja assim com qualquer profissão. No caso de um projeto em quadrinhos, depois de todo o trabalho que temos em criar, pesquisar, produzir, conferir, corrigir, corrigir, melhorar, melhorar e melhorar o resultado final, ficamos também a mercê da sorte ou azar, caso nosso trabalho não seja aceito pelo principal propulsor do sucesso do projeto: o leitor!
Por mais que nos empenhemos em ouvi-lo, levar suas opiniões em conta e deixar o projeto o mais adequado possível para este público, no momento em que a Hq sai, ficamos na expectativa da aceitação final, que é quando o leitor se interessa e compra a nossa Hq. E não digo isso só pela parte financeira, que aliás, é importantíssima, mas pelo nosso ego mesmo, de se sentir vitorioso quando nosso trabalho é aceito e lido.
Como todos sabem, o primeiro livro da Jaguara demorou 10 anos para acontecer e quando finalmente virou realidade, algo vinha contra que era o preço de lançamento (R$ 46,00!), que infelizmente, afugentou prováveis leitores. Isso, de forma alguma foi desatenção ou ganância minha ou da própria editora que publicou a Jaguara. Acontece que o livro saiu com 128 páginas coloridas, com boa impressão e acabamento, mas com uma tiragem pequena (em torno de 1000 livros). E a matemática das gráficas é cruel, mas justa neste ponto: quanto menos se imprime, mais caro fica o preço final.
Mas não foi sobre isso que eu queria comentar hoje. Quero falar das compensações que todo esse trabalho e expectativa nos oferece, às vezes. Quando isso acontece, tenho certeza que tudo valeu à pena e que faria tudo de novo, se fosse preciso.
Vou postar uma sequência de fotos, de uma homenagem feita por leitores lá da Suiça, de uma cidade chamada Ticino. O que eles fizeram realmente me deixou muito feliz e emocionado na época. Vejam:











Esses estimados e valiosos leitores se chamam Simone, Tito e Alexander. Ele me deram a honra de comprar um exemplar da Jaguara, após lerem um editorial sobre ela na revista Mr. No, em agosto de 2005. Eles me disseram por email, que esta revista circulou na Suiça, Itália, França e Alemanha. Um deles foi casado com uma brasileira. Foi uma encomenda muito feliz e 2 anos depois, em 2007, eles me mandaram essas fotos, dizendo que tinham pintado a Jaguara na parede do quintal onde moravam. Não é preciso dizer que fiquei além de muito orgulhoso e honrado, muito emocionado. Isso realmente faz valer à pena todo o esforço. 
Minha intenção é, além de mostrar e dividir esta conquista, afirmar que todo empenho e trabalho duro vale e vale muito. Uma compensação dessas paga tudo e não estou exagerando.
Caros amigos de Ticino, Simone, Tito e Alexander, muito obrigado mesmo!
É isso!

Valeu!

18 de abr. de 2011

19 - Produzindo Jaguara - Mais estudos do guerreiro macaco

Toykobé!
Hoje segue mais alguns estudos do guerreiro macaco, que na verdade é generalista, pois esse povo tem alguns milhares de integrantes. Estes seriam estudos da anatomia e proporção da maioria desses guerreiros.
Fiz alguns esboços do rosto em perfil, para estudar suas proporções e sua fisionomia geral.
A proposta é que eles sejam inteligentes e tenham sua própria cultura e hábitos próprios. Sua inteligência seria algo to tipo "bárbaro", sem dominar grandes tecnologias, a não ser a forja e manipulação de metal e ouro. Eles possuem táticas de guerrilha mais sofisticadas, aproveitando sempre seus dotes e capacidades físicas. Desta forma, poucas tribos no Jaguaretama teriam coragem de afrontá-los. Segue então alguns poucos estudos de sua fisionomia de perfil:


Como dá para perceber, além da fisionomia, fiz alguns esboços sobre um tipo de elmo de combate feito de algum dos metais no qual eles dominam sua fundição. As pontas seriam para causar danos e ferimentos aos adversários aproveitando um tipo de ataque peculiar onde eles utilizam a cabeça no golpe. E podem ter certeza, o dano desse golpe é grande.
Agora segue um estudo de corpo inteiro em posição anatômica, onde além do esboço à lápis faço um teste de cor. Ainda não sei se esta será a cor definitiva, tudo vai depender na hora em que eu estabelecer a paleta de cores das paisagens do Jaguaretama e contrastar com esta cor do guerreiro macaco. Vejam:



Nestes esboços nota-se com mais detalhes as garras inferiores, que tanto servem para sua locomoção no alto das árvores como para um poderoso ataque à inimigos. Sem contar sua cauda longa e musculosa com os mesmos propósitos. Realmente gosto desse personagem e espero torná-lo muito mais interessante no decorrer da história. O que posso adiantar é que esse poderoso povo foi encarregado de uma tarefa muito difícil, que só eles mesmos poderiam fazer em todo o Jaguaretama. Mas isso, a história contará.
Até a próxima!

Valeu!

13 de abr. de 2011

18 - Produzindo Jaguara - Estudos de proporções entre personagens

Toikobé!
Conforme a história vai avançando, os personagens que vou criando vão tomando forma e vida, por assim dizer. Mas antes de sair escrevendo e desenhando, uma análise de proporções entre personagens é necessária. É o conhecido desenho "um do lado do outro", para estudarmos a relação física comparativa entre determinados personagens.
A Jaguara é das tribos dos Krenakores, conhecidos como índios gigantes e tem 1,95 m de altura. Sendo tão alta, é evidente que todo personagem que for interagir com ela tem de ser pensado em termos físicos.
O personagem que estou fazendo comparações desta vez é um guerreiro-macaco (nome provisório e genérico).
Ele é muito, muito ágil e forte, mas não chega à altura de nossa guerreira. Fiquei então imaginando sua altura e a defini em 1,80 m. Entretanto, fisicamente, ele é muito mais forte que a Jaguara, como podem concluir pelo esboço a seguir (ainda em grafite azul):


As características físicas de um personagem podem mostrar muito de seu comportamento a habilidades naturais. Notem a longa cauda do guerreiro-macaco com uma ponta preênsil, que serve para se locomover com rapidez e maior aderência nos galhos de árvores.
Seus pés, ou melhor patas inferiores, também tem este propósito e serve também como arma de ataque ou manuseio de objetos e ferramentas.
Certamente, os combates entre ambos serão interessantes e espero conseguir que sejam.
Mais pra frente, este desenho entrará para testes de colorização assim como os anteriores que postei recentemente.
Será mostrado em breve aqui.
Até a próxima!

Valeu!

1 de abr. de 2011

17 - Produzindo Jaguara - Ikan no livro 2

Toykobé!
No livro 2 da Jaguara aparecerá com mais profundidade o personagem Ikan, que teve uma breve aparição de apresentação no livro Jaguara - Guerreira e Soberana.
Ele irá se transformar durantes as próximas histórias da Jaguara, em um dos principais personagens de seu universo.
Claro que não posso dar muitos detalhes sobre ele para não estragar surpresas, mas ele foi um dos melhores guerreiros de sua tribo e braço direito e chefe de guerra de Aguaratã, pai de Jaguara, quando era vivo.
Ele se refugiou e vive isolado... até agora!
Confiram um esboço atual de Ikan e em breve, postarei alguns testes de cores que também estou fazendo com ele...


Apesar de ser bem grande, Ikan é muito ágil e foi ele que treinou Jaguara pouco antes de assumir a liderança dos Krenakores após a morte de seu pai. Seu afastamento da tribo ainda é um mistério para todos os Krenakores, principalmente para Jaguara. Mas é exatamente sobre este mistério que a história de Ikan irá se fundamentar e ser esclarecido aos poucos...

Até a próxima!

23 de mar. de 2011

16 - Produzindo Jaguara - Fazendo testes de traço

Toykobé!
Hoje vou postar algo direto e sem delongas.
Estou esboçando e praticando algumas poses com a Jaguara, pois pretendo fazer desenhos um pouco mais limpos para colorir direto sobre o lápis.
Fiz um desenho da Jaguara numa pose tipo pinup mesmo e vou testar algumas formas de pintura digital.
Assim que as fases de pintura deste desenho forem acontecendo, vou postando aqui.
Por hora, coloco apenas o desenho no lápis:


As texturas de árvores vou procurar usar mais linhas irregulares e desconexas, para realçar e mostrar que é orgânico mesmo. Frank Frazetta, Boris Vallejo e Moebius são mestres neste tipo de texturas e certamente, exemplos constantes de referência visual.
Como já tinha dito no post anterior, Greg Capullo ainda me agrada bastante como desenhista e alguns trabalhos seus (principalmente em Spawn) eu geralmente consulto também.
Gostei do resultado deste desenho, pois acredito que estou no caminho certo para deixar o desenho da Jaguara do jeito que eu quero e, desta forma, ajudar a evoluir melhor o meu próprio estilo.
É isso! Até breve e obrigado!

Valeu!!!

17 de mar. de 2011

15 - Produzindo Jaguara - Evolução do traço

Toikobé!
Sempre que leio uma HQ ou vejo algum desenho animado (animação 2D e 3D), fico imaginando o processo de criação, da ideia inicial aos primeiros esboços e desenvolvimento da história e dos personagens.
É interessante entender o processo que aqueles artistas ou artista fizeram para chegarem ao seu produto final.
A Jaguara foi criada em 1995 (na mesa da cozinha da minha mãe...) e era, como a maioria das criações de personagens, um pouco, na verdade, muito diferente do visual que ela tem hoje.
Vasculhando meus desenhos e esboços da época, encontrei (e quando falo que encontrei, é porque encontrei mesmo!) alguns desenhos que mostram a linha de evolução do traço da Jaguara, que segue abaixo:


Jaguara em 1995 - Primeiro desenho completo da personagem, com um visual atlético mas com vestimentas totalmente erradas para a proposta de seu universo. Claro que percebi isso depois de algum tempo após admirar este desenho por alguns meses...

Jaguara 1996 - Neste desenho, ela já tem a vestimenta "diminuída" por assim dizer, inclusive com detalhes de pele de onça. Mas possuiu um tipo de bota que ainda não se encaixava com a proposta. Pergunta: "Mas você não percebeu isso quando desenhou essas botas nadahaver?" - Resposta do desenhista iniciante: "Não..."

Jaguara 1997 - Agora sim ela adquire o visual quase definitivo. Nessa época, após muitas conversas com o Prof. Eduardo Navarro e depois de mostrar para algumas pessoas, cheguei nesta versão que me deixou mais realizado e próximo do que realmente eu queria para a personagem.


Jaguara 2004 - Este desenho foi o último da última página do primeiro livro "Jaguara - Guerreira e Soberana" que fiz 4 meses antes de publicá-lo pela Via Lettera (19 de abril de 2005). Essa pose imponente e o visual de guerreira e soberana é o que espero continuar transmitindo nos próximos livros.

Esta evolução ainda continua, pois em meu primeiro livro, fui muito influenciado pela linha Image de quadrinhos, em especial pelos desenhos e narrativa do desenhista americano Greg Capullo nos primeiros 3 capítulos do livro que os desenhei, respectivamente, em 1998, 2000 e 2003. Em 2004, fui mais influenciado pelos desenhos de John Buscema e Cláudio Castellini e procurei usar uma narrativa mais acadêmica, certinha.
A Jaguara deverá ter pequenas mudanças em sua vestimenta, principalmente em sua tanga, que convenhamos (e eu não tinha me ligado nisso antes...) é inverossímil para suas façanhas atléticas. Culpa das fitinhas da Angela desenhada pelo Capullo...
A pergunta que fica, após esta explicação é: "Você copia o estilo de outros desenhistas?" e minha resposta é "Por enquanto sim!". Mas deixa eu finalizar esta afirmação: Todo desenhista iniciante, para evoluir, além de muita prática e treino, deve se basear naqueles que tem mais experiência. Creio que é até uma questão desse desenhista se descobrir e ver qual estilo geral (herói, cartoon, mangá, europeu, erótico, estilizado etc) lhe é mais natural de fazer. Dentro do estilo geral, ele deve apreciar estilos pessoais de desenhistas profissionais e isso não é pecado ou falta de criatividade visual. De forma alguma! Mas essa descoberta pelo seu estilo é válida como experiência. Certamente, após muita prática, o estilo pessoal desse desenhista iniciante irá aflorar e quando isso acontecer, ele já será um profissional com certa experiência. E provavelmente, a partir desse ponto, será reconhecido pelo seu traço. Tenho essa pretensão, mas por enquanto quero focar em ser reconhecido pela minha personagem fazendo o melhor que posso com a prática e habilidade que tenho hoje. Produzir ainda é o melhor jeito de evoluir!
Obrigado pela atenção!

Valeu!

9 de mar. de 2011

14 - Produzindo Jaguara - Livros, livros, livros...

Toikobé!
Vou mostrar um pouco dos materiais de pesquisa que usei e uso como referência para construir as aventuras da Jaguara.
Hoje, a internet é uma fonte inesgotável de pesquisa e um grande aliado do ilustrador na hora de criar e desenvolver seus personagens. Mas bons livros são essenciais para uma pesquisa consistente e detalhada. Separei então alguns livros (os mais usados) que são minha fonte permanente de leitura:


1 - AMAZÔNIA - O Desafio dos Trópicos, Jarbas G. Passarinho, Primor, Rio de Janeiro, RJ, 1971. Livro que descreve um pouco da história da Amazônia com excelentes fotografias. Descrições das fotos em Português, Inglês e Francês.

2 - ANTOLOGIA DO FOLCLORE BRASILEIRO, Luiz da Câmara Cascudo, Livraria Martins Editora, São Paulo, SP, 1943. Neste livro de 1943, Câmara Cascudo faz um levantamento dos relatos escritos por cronistas  coloniais entre os séculos XVI a XX além de viajantes estrangeiros e estudiosos do Brasil.

3 - MÉTODO MODERNO DE TUPI ANTIGO, Eduardo de Almeida Navarro, Petrópolis, RJ, 1998. Primeiro livro didático de Tupi Antigo, língua falada largamente no Brasil até metade do século XVII. Escrita pelo Prof. Eduardo Navarro que também participa das traduções e adaptações nos livros da Jaguara, esta obra é uma das únicas em todo o Brasil. Livro de cabeceira.

4 - XINGU, Orlando Villas Boas e Claúdio Villas Boas, Zahar Editores, Rio de Janeiro, RJ, 1972. Livro que fala sobre as tribos que vivem no Parque do Xingu, focando seus hábitos, cultura e mitos.

5 - LENDAS E MITOS DO BRASIL, Theobaldo Miranda Santos (com ilustrações do mestre Manoel Victor Filho), Companhia Editora Brasil, São Paulo, SP, 1992. Fala sobre lendas e mitos por regiões do Brasil.

6 - CULTURA INDÍGENAS DO BRASIL, Aurélio M. G. de Abreu, Traço Editora, São Paulo, SP, 1987. A obra fala de civilizações antigas e suas influências e raízes em nossa cultura indígena atual.

7 - ÍNDIOS DO BRASIL, Julio Cezar Melatti, Editora Universidade de Brasília, Brasília, DF, 1987. Livro enfoca e descreve uma visão da cultura indígena mais próxima da realidade. Livro com informações preciosíssimas.

8 - ORLANDO VILLAS BÔAS - Histórias e Causos, FTD, São Paulo, SP, 2005. Autobiografia do indigenista, falecido no dia 12 de dezembro de 2002. Esta obra foi finalizada com a colaboração de sua esposa Marina, que tive a honra de conhecer e de seus dois filhos Orlando e Noel. Obra que retrata as aventuras e descobertas de Orlando, coroando sua inestimável contribuição para nossa cultura e sociedade.

Claro que tive outras muitas fontes de pesquisa, mas estes livros foram os principais realmente.
Mesmo que não tenhamos intenção de criar ou contar uma história de teor altamente histórico e didático, é importante na minha opinião, fazermos uma pesquisa sobre aquilo que queremos mostrar.
E posso garantir que conhecemos muitas pessoas bacanas e interessantes neste processo de busca por informação. Me sinto orgulhoso das pessoas que conheci através de meu projeto como o prestigiado Prof. Navarro, que hoje é meu amigo e tantas outras pessoas importantes que fizeram parte desta descoberta.
Realmente vale o esforço, interesse e capricho!
Obrigado pela atenção!
Valeu!